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A sociedade em que vivemos

 Quando fui hoje buscar a minha filha, não tivemos o nosso beijinho da praxe e as minhas perguntas do costume, acerca de como correu a escola, etc. 

A primeira coisa que ela me referiu foi se tinha conhecimento do “massacre”. Curiosamente hoje de manhã falei com uma pessoa acerca disso e de como optei por não lhe dizer nada, mas, provavelmente teria feito mal, pois iria sabê-lo de uma forma enviesada e abrupta. 

Recuando há uma semana atrás, uma colega de trabalho comentou-me algo acerca de umas ameaças específicas à escola do filho que circulavam nas redes sociais, mas que seriam uma “brincadeira” de mau gosto. Ao que parece esta semana, a propósito do aniversário do massacre de Columbine, o sururu alastrou e as forças de segurança estariam preparadas para actuar. Não se fica descansado perante ameaças destas, tão pouco devemos deixar o pânico tomar conta de nós. 

A verdade é que a sociedade em que vivemos e o actual estado das coisas, abriu a porta a situações destas, e não podemos olhar para ameaças nas redes sociais como meras brincadeiras. Acredito que as autoridades tão pouco o façam e que alarmar a população não é de todo o mais correcto. Não obstante quando se começa a falar das coisas, é de facto preciso ter algum cuidado. 

Perante a minha filha irei conversar com ela mais logo, sem dramas. Terei que lhe explicar em traços gerais o que se passou no massacre de Columbine, para evitar que absorva informações empoladas, terei que lhe explicar que as pessoas que cometem estes actos tresloucados, para além de quererem passar uma mensagem, terão também elas sido vítimas das falhas da sociedade, falhas de afecto por parte dos pais, etc., e… a pior parte: dar-lhe algumas ferramentas para lidar e actuar numa situação limite.

É triste e desolador ter definido para o serão um assunto destes como tema de conversa com uma criança/quase adolescente de apenas 12 anos, mas assim terá que ser. Fruto de alguns dos malefícios que a evolução da sociedade também nos traz,

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