Avançar para o conteúdo principal

06 de Outubro de 1998 - 24 Anos

 De há 24 anos a esta parte, este é um dos dias "não". Está aliás no top 3 dos dias "não". E assim será enquanto eu por cá também estiver.

Não foi sequer o último dia que vi a minha avó com vida. Neste dia, há 24 anos, não a vi sequer. Comunicámos fisicamente no dia anterior, e a partir daí que se lixe a República, mas é sempre aquele dia estranho em que a minha avó estava naquela cama de hospital fisicamente, mas a sua essência já não habitava aquele corpo. Mas respirava, a temperatura corporal era normal. Tinha (alguma) vida. No dia 6 tudo se desencadeou rapidamente, e às 12:50h partiu sem que lhe pudéssemos olhar jamais para aqueles maravilhosos olhos azuis.

O dia foi surreal. Notícia da morte, a minha premonição costumeira umas horas antes, tentar vê-la mas com as burocracias de morgues, foi impossível, folhear catálogos de caixões e lençóis e panos para cobrir a face. Tudo coisas que aos 20 anos eu nem sequer considerava que se passavam assim. Escolher a roupa, sapatos e eu, completamente anestesiada, mas pensando sempre onde raio estaria a minha avó e se, mesmo assim, inerte e sem vida, estariam a tratá-la com cuidado.

Mas a sensação continua a mesma. Uma saudade que me invade, uma saudade imensa, ter a noção que não a vejo há quase 1/4 de século, que tenho hoje a idade que a minha mãe tinha quando ela partiu, que já passou tanto tempo, mas que parece igualmente não ter passado tempo algum. Parece que a nossa última conversa ocorreu ontem, há escassas horas e ainda lhe sinto o cheiro, ainda tenho presente aquele olhar, aquela voz irrepetível e a força de viver. A generosidade, a empatia, a entrega ao próximo. A minha avó foi tudo e continua a ser, mas acima de tudo, foi mesmo uma Grande Mulher!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Receita infalível para emagrecer

 Deixem-se lá de discussões. Qual exercício físico, canetas emagrecedoras, dietas espectaculares passadas pela melhor clínica de nutrição do país e arredores….experimentem arrancar um siso e depois digam lá se não emagreceram.  Desde quarta feira não consigo comer. Estou a líquidos, trouxeram-me gelado e nem isso me tem valido grande coisa tal não são as dores e desconforto.  A balança marca 2 kgs a menos. Portanto é a solução. 

E quase 1 semana volvida en continuo cheia de dores a propósito do dente são extraído

 Tive azar, só pode. As dores são insuportáveis, a analgesia básica pouco funciona, daqui a nada tenho a face queimada de tanto gelo e durmo com uma almofada no pescoço para poisar o lado direito. Praticamente não consigo comer, ou seja, desde quarta feira passada já foram 2kgs e pouco a menos (isso agradeço) mas o desconforto é mais do que muito. Hoje finalmente tomei a decisão de clamar por ajuda porque estas dores já não devem ser normais, e agora estou acompanhada por: Clonix Dualgan Betamox Plus Ou vai ou raxa - mas eu espero honestamente que vá porque já chega de dores por uns dias.

28 anos e 4 horas de vida, desde que a vi em vida pela última vez

É um dia histórico para republicanos e monárquicos e cada qual o entende sob o seu ponto de vista.  Para mim, desde 1998, ou seja, de há 28 anos para cá é um dia que me faz inevitavelmente revisitar um passado que dói.  Eu tinha 20 anos. Era uma miúda imberbe com algum conteúdo, mas não deixava de ter 20 anos. O Verão anterior tinha sido ambíguo. EXPO 98, fui lá uma série de vezes, levei a minha irmã que na altura tinha uns encantadores 10 anos e diverti-me imenso. Mesmo.  A vida universitária corria-me bem. Na verdade foram os anos, enquanto estudante em que fui feliz. Com muita aprendizagem útil, conheci pessoas incríveis entre colegas e professores e deixei de ter de lidar com pessoas parvas e comportamentos parvos, numa altura em que ainda não se falava em bullying mas ele já existia e bem!  A minha avó era doente oncológica há 10 anos, mas na minha cabeça era imortal. Iria ter avó até aos seus 100 anos ou mais. Alguma vez a minha avó partiria mais cedo!? Jamais....