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Os adultos choram?

 - Claro que sim filha, porque não haviam de chorar quando sentem essa necessidade!? - respondi eu, ao que ela me diz:

“Nunca te vi chorar mamã”

Tantas lágrimas minhas lhe omito desde sempre, tantos momentos de dor, de tristeza...a minha filha pensa que eu sou um rochedo. Nunca me viu, ou não se lembra de me ter visto chorar. Poupo-a à preocupação de me ver desabar quando tal acontece e, pelos vistos, com sucesso. Mas a mãe chora, e muito, muito mais do que desejaria, sem dúvida.

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Para quem é ou já foi estudante universitário, o mês de Maio é o mês das Academias por excelência. É para muitos que todos os anos se opera o virar de uma página e o recomeço da escrita de outra, que mais não são do que as páginas das nossas vidas, das nossas memórias e de tudo o que estará para vir. O mês de Maio de 2000 foi um dos meses, um dos ritos que não esqueço, rito esse que me é relembrado todos os anos. É indescritível o que nós sentimos quando estamos perante o fechar de uma etapa...foi nessa altura que senti o peso dos anos, o peso de alguma cultura, de relativa sabedoria no nicho que escolhi para mim e para o qual tenho vocação, o peso da responsabilidade. Saber que daí para a frente nada iria ser como dantes, saber que iria começar a estar por minha conta e risco, provar uma certa independência, fazer cada vez mais as minhas escolhas, ser responsável por elas e assumir os seus riscos e consequências. Sim, foi aos 22 anos que de facto me senti a entrar na vida adulta,