Avançar para o conteúdo principal

O uso do "você"

Sinceramente é algo que me incomoda ouvir as pessoas tratarem um interlocutor utilizando um ostensivo "você".

Tratar uma pessoa com deferência e educação, não passa por tratá-la por "você isto, você aquilo"; portanto, Você é estrabaria, tenho dito.

Nunca tratei a minha mãe, o meu padrasto, avós, pais, tios, por tu...jamais. Por nada em especial, por uma questão de educação apenas. A minha mãe trata-me por tu, mas muitas vezes, ainda hoje é capaz de me dizer "a menina isto, a menina aquilo".

A minha irmã, 10 anos de idade a menos do que eu, já é mais libertina. Resumindo, em termos de família, por tu, só mesmo os primos e os meus tios mais novos, que são mais novos do que eu, e sinceramente vejo-os mais como primos.

Mas tão pouco me dirijo às pessoas com um "você quer isto!?", "você acha!?" - mas antes "a Mãe quer isto!?", "a Mãe vem connosco!?" e assim sucessivamente.

Portanto quando oiço o Cristiano Ronaldo a tratar o Sr. Silva (que não deixa de ser o nosso Presidente), ou, hoje por exemplo, a Judite de Sousa por você, até fico arrepiada. É estrebaria caramba; ensinem lá o jovem que fica feio falar assim.

Em toda a minha vida, apenas trato uma criatura com um ostensivo você, exactamente por se tratar de um arrieiro, um pulha, que no fundo é você. Agora a pessoas de bem, utilizado dessa forma, não fica bem, de todo.

Comentários

Minhas Escolhas disse…
Concordo plenamente com tudo o que escreveste. Eu vou até is longe, e sempre tratei pais, avós paternos e há anos uma das bisavós por `tu`, e não me peçam para deixar de o fazer que não consigo. Não considero falta de educação mas sim intimidade. Nem eu gostaria que um filho meu tratasse pais e avós por `você` ou `sr`, a menos que não houvesse intimidade, amizade ou à vontade suficiente. Existem pessoas que insistem tanto nesses termos e nem por isso têm um pingo de educação.

Mensagens populares deste blogue

Já começo a sentir o cheiro a férias...

Embora esteja a braços com uma bela gripe de Verão; antes agora, do que daqui a uns dias.

"Quem me Leva os Meus Fantasmas"

Tive oportunidade de ver há dias uma entrevista com o Pedro Abrunhosa (músico de que gosto bastante pela sua atitude e mensagens que passa) em que ele dizia que as suas músicas/letras são o reflexo das suas catarses, de situações que o perturbam, ou que lhe agradam e que ele tem que extrapolar para o exterior. Achei engraçada a analogia, pois com o sentido de humor que lhe é característico refere que é uma maneira de não perder tempo e dinheiro a ir ao Psiquiatra, entretém as pessoas e ainda lhe pagam para isso. O filósodo Lou Marinoff, brilhante também, como forma de evitarmos a cadeira do analista propõe-nos "Mais Platão, Menos Prozac". Concordo com ambos. E aqui deixo uma letra fabulosa de Pedro Abrunhosa, que transmite muitas das certezas e incertezas da minha existência, e foi também a seu tempo a banda sonora de eleição de uma anterior relação por mim vivida. Quem Me Leva os Meus Fantasmas "Aquele era o tempo Em que as mãos se fechavam E nas noites brilhantes

Apropriação

 Costuma ser um terreno simpático e bem cuidado, com relva bem aparada e quando o tempo o permite as crianças brincam até ao limite do dia. Fica em frente a minha casa.  Hoje testemunhei uma apropriação e que imagem mais maravilhosa. O pato Pateco descobriu uma nova casa, e enquanto ali houver água, desconfio que de lá não sairá. Vou investigar e dar-lhe um olá todos os dias. O pato Pateco merece. A beleza na simplicidade…