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O Natal dos Sem-Abrigo

Não deixo de me arrepiar sempre que páro para pensar um pouco em todos aqueles que por esse mundo fora têm tão-pouco.

Mas como a desgraça não está apenas em África, no Médio Oriente, ou na América Central, e sem nos darmos conta está tão presente ao nosso lado, não consigo imaginar o quão deprimente, triste e desolador será ser sem-abrigo nestas e noutras quadras.

Saber-se que família inteiras esbanjam, não pensam sequer na felicidade que têm ao seu alcance e com tão pouco e que tantos seres como nós vivem na miséria mais deplorável a que um ser humano pode estar sujeito.

Vi na comunicação social a acção de solidariedade do Metropolitano de Lisboa, ao oferecer tantas refeições de Natal aos sem-abrigo da nossa cidade, a maior parte deles que um dia tiveram um futuro que se avizinhou razoável e que, por uma ou outra cabeçada mais forte acabaram a depender da caridade alheia.

É triste pensar que o que para nós pode ser tão comum, para outros tem uma grandeza inatingível.

Olho para a minha filha e saber que apesar dos seus apenas tenros 5 meses, materialmente nada lhe falta, os pinheiros de Natal por onde passámos carregados de embrulhos para ela, brinquedos e tudo o mais....e que futuro lhe estará reservado?
Dói saber que quando nos queixamos que temos pouco, olhar para o lado e saber que há quem, esses sim, nada tenham, muito menos o que comer...

Reitero que a solidariedade não deveria ser tão sentida apenas nesta fase do ano...mas sempre.
Tenho a consciência tranquila, faço sistematicamente o meu mecenato e gostaria de pensar que todos, à sua medida o fariam também.

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