Avançar para o conteúdo principal

Em minha casa, alguém conta os dias para que o Carnaval chegue

Ainda se está na idade em que se acredita que vestir um trapo nos transforma de cruz naquele personagem e vamos fazer o que ele/ela faz; e toda a gente nos vai dizer que estamos bonitos, e vão-nos tirar fotografias, etc.

Eu há muito que estou na fase dos malefícios do ovo podre, da bomba de mau cheiro, dos balões de água e das brincadeiras estúpidas e do ridículo que é ver aquelas mulheres no corso a pensar que estão em pleno Sambódromo, mas que, o mais certo é saírem dali directas para o hospital em estado de hiportemia.

Não é segredo, abomino o Carnaval, e estou desejosa que chegue a próxima terça-feira à tardinha e para o ano se Deus quiser e eu cá continuar, a minha crença vai ser a mesma.

Mas como eu gosto muito do Fernando Pessoa e já ele dizia que o Melhor do Mundo são as Crianças, e uma vez que o melhor do meu mundo é de facto a minha criança, amanhã lá me vou levantar de madrugada, para a vestir, pentear, maquilhar, fazer as recomendações básicas, e sair de casa com uma Sevilhana em condições, comme il faut.

Nem sei como é que uns sapatos originais de flamenco comprados em Madrid em Maio passado, duraram até hoje, ali arrumadinhos no estojo original, novinhos e sem tentações de os calçar antes.

Depois de muito contar os dias, finalmente para ela está a chegar o Carnaval e eu, que mais me apetece estar de trombas perante as brincadeiras de mau gosto, vou sorrir, apenas e só por vê-la a sorrir.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Quem me Leva os Meus Fantasmas"

Tive oportunidade de ver há dias uma entrevista com o Pedro Abrunhosa (músico de que gosto bastante pela sua atitude e mensagens que passa) em que ele dizia que as suas músicas/letras são o reflexo das suas catarses, de situações que o perturbam, ou que lhe agradam e que ele tem que extrapolar para o exterior. Achei engraçada a analogia, pois com o sentido de humor que lhe é característico refere que é uma maneira de não perder tempo e dinheiro a ir ao Psiquiatra, entretém as pessoas e ainda lhe pagam para isso. O filósodo Lou Marinoff, brilhante também, como forma de evitarmos a cadeira do analista propõe-nos "Mais Platão, Menos Prozac". Concordo com ambos. E aqui deixo uma letra fabulosa de Pedro Abrunhosa, que transmite muitas das certezas e incertezas da minha existência, e foi também a seu tempo a banda sonora de eleição de uma anterior relação por mim vivida. Quem Me Leva os Meus Fantasmas "Aquele era o tempo Em que as mãos se fechavam E nas noites brilhantes

Esta miúda que por sinal é minha filha...

 Estava eu a aspirar a casa e ela decidiu observar-me(nos). “Mãe, esse aspirador é do Rei dos Aspiradores. Não sabia que o aspirador de cá de casa era desses. Não devias dar dinheiro a esse homem mãe.” Nem comentei, nem tão pouco estou com presença de espírito para tentar perceber que cenas escabrosas a respeito do tal senhor que era o “manda-chuva” da Rainbow chegaram aos ouvidos da minha filha. Está a ser muita mudança para a minha cabeça. A miúda está mesmo a crescer...a galope e eu, começo a ficar para trás. Maldita idade...a minha! A dela, recomenda-se, mas de preferência com menos audácia e argúcia.

Os adultos choram?

 - Claro que sim filha, porque não haviam de chorar quando sentem essa necessidade!? - respondi eu, ao que ela me diz: “Nunca te vi chorar mamã” Tantas lágrimas minhas lhe omito desde sempre, tantos momentos de dor, de tristeza...a minha filha pensa que eu sou um rochedo. Nunca me viu, ou não se lembra de me ter visto chorar. Poupo-a à preocupação de me ver desabar quando tal acontece e, pelos vistos, com sucesso. Mas a mãe chora, e muito, muito mais do que desejaria, sem dúvida.