Avançar para o conteúdo principal

O Claude Lévi-Strauss que há em mim

 Ontem conheci uma pessoa, aliás, vi pela primeira vez uma pessoa, porque na realidade apenas travei conhecimento com ela hoje. Ele, aliás. 

E foi assim uma sensação absolutamente nova para mim. Ver uma pessoa que parece pertencer a outro habitat, num contexto completamente díspar ao que, em teoria, por senso comum, achamos que pertence. 

Foi inesperado e não estava de sobreaviso, mas mantive a discrição que me é característica. Não que a minha parte imperfeitamente humana não tivesse achado aquele ser humano intrigante. Mas que direito tenho eu em pensar que ele está fora do contexto? Poderei ser eu, na verdade.

Mais vale partir para o conceito de habitus e suas reminiscências, que apenas sociólogos e filósofos entenderão com maior propriedade. 

Em suma, ainda que não lhe conheça as origens (ainda), porque estou mesmo muito interessada em saber mais de uma cultura que conheço só pela teoria, estou perante um índio da América do Sul ou Central, com indumentária regular, mas mantendo todas as características étnicas e alguns ritos de passagem cravados no corpo que me fazem olhar para ele e não ter qualquer dúvida de que é índio. 

Estava longe de imaginar que iria ter tão interessante encontro na minha vida, precisamente num contexto onde é imprevisível encontrá-los. Mas não posso deixar que a minha imensa curiosidade científica e empírica me tolde o pragmatismo e o respeito pela privacidade desta pessoa e me ponha a investigar, como se em campo estivesse. Não posso. Mas não vou evitar a admiração que sinto por ter tão perto uma pessoa que, numa sociedade com uma organização diferente, consegue manter as suas características tão ancestrais e estar completamente enquadrado. 

Estou fascinada. Mesmo. Enfim…eu gosto mesmo de pessoas, sobretudo pessoas com interesse e que, na sua individualidade me podem ensinar tanto. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Já começo a sentir o cheiro a férias...

Embora esteja a braços com uma bela gripe de Verão; antes agora, do que daqui a uns dias.

Considero-me mãe a "tempo inteiro"

Pois o foco da minha vida está centrado na minha filha, mas tenho outras responsabilidades que não apenas relacionadas com o dia-a-dia dela, como é óbvio. Deparo-me com uma grande dificuldade em conseguir ter agenda para tudo, e aí acho que o nosso país necessita de evoluir. Ando a contactar escolas de dança para a familiarizar com o Ballet, e umas dizem que só iniciam as crianças aos 6 anos (o que eu acho tarde), outras apenas têm aulas durante a semana às 4 da tarde. Uma pessoa está a trabalhar a essa hora, é impossível levar as crianças no meio do horário de trabalho para estas actividades. Que chatice :(

Os malefícios da adolescência

 Sempre pensei que a minha filha não seria acometida por certas coisas, nomeadamente acne. Eu nunca tive e achei que a genética iria ajudar...mas não. De há uns meses a esta parte a pele da cara ficou qual campo minado e muito também por culpa dela, pois gosta de fazer experiências com produtos que não são para a idade dela, vai na conversa das amigas e não segue as minhas sugestões e agora chegou ao limite pois claro. Lá fui com ela ao dermatologista que é um médico incrível que já nos ajudou há uns anos com um problena de hiper pigmentação, mas fiquei descapitalizada e vamos ver se resulta. Para já foram 200€ assim num piscar de olhos. Seguir o plano durante cerce de 3 meses para nova avaliação. Ao sairmos da consulta disse-lhe assim o médico: "Não te preocupes porque de uma forma ou outra isso vai ter solução e vamos fazer de tudo para não ficares com marcas." E a minha filha que não tem o mínimo de bom senso respondeu: "Eu não estou nada preocupada, a minha mãe é que...