Avançar para o conteúdo principal

Ontem foi o dia dela

 Gostava de viver e via sempre o lado bom e divertido da vida. Não era pessoa que deixasse transparecer tristeza. Denotava uma grande nostalgia quando falava da mãe e de resto, ou estava divertida, ou irritada, mas triste...acho que nunca  a vi.

Por mais que os anos passassem, mantinha o ar jovial, o corpo que tinha na casa dos 20, aquela tez morena que ela dizia com orgulho ser resultado da sua herança alentejana, da sua amada vila de Castelo de Vide.

Foi com ela que conheci Castelo de Vide e é de lá que conservo memórias muito boas. Pudesse eu e comprava lá uma casinha pequena para ir respirar, sempre que preciso de estar em silêncio.

Nas fases da minha vida mais duras, foi com ela que estive e era ela que me tentava fazer regressar à tona, com o seu optimismo, pragmatismo e a velha máxima de que se perdemos um autocarro, é só esperar pelo que o procede. 

Chorar pelos outros...jamais, a não ser pelos nossos pais (e não são todos os progenitores que merecem as nossas lágrimas, pois claro)...e filhos vá....dizia ela.

Viveu a vida conforme quis, fez o que quis e aproveitou o melhor que pôde. 

Quando partiu, há perto de 11 anos, achei que tinha sido uma injustiça tremenda. E se ela tinha medo da morte. E se pensar nela é totalmente incompatível com a ideia de que já não está entre nós, indo mais fundo na idade precoce, a forma como tudo se desenrolou e como a deixou desfigurada deixa-me sempre imersa numa tristeza profunda, tristeza essa que ela sempre rejeitou.

Foi uma pessoa muito importante para mim, sempre será e partiu sem termos possibilidade de ter a última conversa. Mea Culpa. No leito de morte acredito que ainda me sentiu e quero acreditar que apesar de tudo, seguiu em paz.

Teria celebrado mais um aniversário ontem, a minha madrinha Margarida!


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Já começo a sentir o cheiro a férias...

Embora esteja a braços com uma bela gripe de Verão; antes agora, do que daqui a uns dias.

Ritz - Quinceañera

 Mas como é que já se passaram 15 anos desde aquele dia em que finalmente a conheci e senti que já a conhecia desde sempre. Não a ela em si, mas à essência dela, à presença dela em mim. Bem que dizem que os filhos são sangue do nosso sangue, carne da nossa carne e senti que uma parte de mim se havia desprendido e estava pronta a desbravar terreno, desenvolver-se, superar-se e ser uma muito melhor versão dos seus ascendentes. Aí estava a minha borboleta, a minha Tinkerbell, a minha Bébécas, a riqueza de sua mãe, o pequeno demónio, a princesa....a Ritz. O livro em aberto que a cada dia ganha mais páginas, o amor puro, o orgulho, por vezes a minha falta de paciência para a sua desafiante adolescência e a reinvenção diária de mim própria e de como lidar com este ser do mundo. 15 anos de ti, 15 anos de nós e a certeza de que sem ti a minha vida teria o maior dos sonhos por realizar, porque sempre desejei ser tua mãe, mesmo antes de existires. Muitos Parabéns Filhota e que estes 15 anos ...