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A escala de prioridades da minha filha

 Não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe, já diz o ditado e é bem certo.

Pois que desde o início do seu percurso escolar, nunca na vida tive necessidade de instar a minha filha a estudar nem vislumbrei notas abaixo do Bom. Os Quadros de Mérito e Excelência valem o que valem e eu nem concordo com essa diferenciação neste nível de ensino mas, a verdade é que até ao 9º ano teve lugar cativo na cerimónia de entrega dos mesmos.

Antes deste ano lectivo iniciar e perante a escolha dela irrevogável pela área mais desafiante de todas, conhecendo-lhe as grandes capacidades mas também a parte em que pouco se esforça quando algo não vai de encontro às suas expectativas, tentei que percebesse que a responsabilidade nos próximos grandes é elevada, não pode estar por desporto e para seguir um percurso universitário as médias teriam de ser trabalhadas desde o início.

Pensei que tinha absorvido a informação até porque das capacidades dela não tenho dúvidas mas...a miúda deslumbrou-se com a mudança de escola, com a independência de ir e vir de autocarro sem a supervisão da mãe a ir buscá-la à porta da escola, sair com os colegas para ir a croissenteria do fundo da rua e o Açaí no fim da linha do autocarro, descobriu-se a ela e à minha maquilhagem, deu cabo da cara pois está com uma dermatite que já me fez marcar uma consulta no dermatologista e que me vai fazer gastar uma fortuna em tratamento, etc.

Em suma, intensificou o revirar de olhos, a tentativa de se sobrepor à minha voz e as orelhas moucas para as minhas instruções,

Retirei-lhe quase tudo que podia, desde Nintendo, telemóvel confiscado imensas vezes, não foi a uma série de festas de aniversário, tirei-a das Guias que era algo que ela venerava e não só a minha imaginação não me está a ajudar na forma de descobrir o que confiscar mais, como ela parece estar literalmente a borrifar-se e mantém os comportamentos desviantes.

No final da semana passada deu-se o pior - estava eu num dia hibrido e apercebo-me que ela sai de casa após a passagem do autocarro e não foi capaz de me dizer nada - não estivesse eu atenta e ter-lhe ligado a perguntar a que horas estava ela a pensar chegar à escola (sim, porque até já faltas de pontualidade já me foram apresentadas este ano), deixei tudo e lá fui a correi deixá-la à escola numa pilha de nervos e claro explodi, disse-lhe muito mais do que deveria, é certo, mas atingi o meu limite.

Retirei-lhe a última coisa de que me lembrei e que pelos vistos nos últimos tempos terá sido o mais eficaz, dado que todos os dias me questiona se já a pode voltar a usar e perante a minha resposta negativa, até o orgulho lhe cai ao chão.

A peça que ela andava a namorar há 2 anos e que apenas agora achei que estava na idade de poder ter a sua primeira Longchamp - só depende dela voltar a usufruir do direito de uso mesmo, e espero que se atine caso contrário tomo para mim a posse por usocapião mas também deixo de ter mais o que lhe retirar.

Fase difícil esta da adolescência de facto.





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